Para comparar duas propostas de empréstimo pessoal, olhe primeiro o CET (Custo Efetivo Total), a taxa que soma juros, IOF, tarifas e seguros em um único número por período. Uma proposta com juros menores pode sair mais cara se trouxer tarifas e seguro embutidos.
O CET aparece na proposta e no contrato com esse nome. Se você não encontrar o número, peça por escrito antes de assinar, junto com o valor total que vai pagar.
Este guia mostra o que entra no CET, uma simulação com duas propostas e como conferir a taxa de juros oferecida com a média publicada pelo Banco Central.
O que o CET inclui além da taxa de juros
A taxa de juros é o preço do dinheiro emprestado. O CET vai além, porque mostra quanto o crédito custa de fato depois de somados todos os itens que aumentam as parcelas.
Entram no CET:
- Juros, a remuneração da instituição pelo dinheiro emprestado
- IOF, o imposto federal sobre operações de crédito
- Tarifas, como a de cadastro, quando existirem
- Seguros vinculados ao empréstimo, quando incluídos na operação
- Outros encargos cobrados na contratação
Por isso o CET nunca fica abaixo da taxa de juros da mesma proposta. Quando os dois números ficam muito distantes, há custos extras pesando na conta.
Por que a taxa mensal sozinha engana na comparação
A taxa de juros anunciada incide sobre o valor financiado. Quando tarifas, seguro e IOF são somados a esse valor, você passa a pagar juros também sobre esses custos, durante todo o prazo.
Há ainda o caso em que os custos são descontados do valor liberado. Você assina um contrato de um valor, recebe menos na conta e paga as parcelas calculadas sobre o valor cheio.
Nos dois formatos, a taxa de juros continua a mesma no papel, mas o custo real sobe. Só o CET captura essa diferença.
Outro cuidado é comparar taxas no mesmo período. Por exemplo, 3% ao mês não equivalem a 36% ao ano: com juros compostos, a taxa anual equivalente fica perto de 42,6% ao ano.
O prazo também muda a conta. Um prazo maior reduz a parcela, mas aumenta o total pago, então uma parcela menor não significa um empréstimo mais barato.
Onde o CET aparece na proposta e no contrato
Procure pelas palavras Custo Efetivo Total ou pela sigla CET na simulação do aplicativo, na proposta enviada antes da assinatura e no contrato.
Confira em qual período o CET está expresso, ao mês ou ao ano, e use sempre o mesmo período ao comparar propostas diferentes.
Junto com o CET, localize estes dados na mesma proposta:
- Valor liberado, o que de fato cai na sua conta
- Valor financiado, que pode incluir tarifas, seguro e IOF
- Número de parcelas e valor de cada uma
- Taxa de juros e o período a que ela se refere
- Valor total a pagar até o fim do contrato
Guarde uma cópia ou uma captura de tela da proposta. Ela serve para conferir se o contrato final repete as mesmas condições.
Simulação: duas propostas com o mesmo valor e custos diferentes
Nesta simulação, você pede R$ 10.000,00 para pagar em 12 parcelas mensais, e as duas propostas somam os custos ao valor financiado. O IOF recebeu um valor hipotético igual nas duas para isolar o efeito das tarifas e do seguro.
Os valores do exemplo, arredondados, ficam assim:
| Item | Proposta A | Proposta B |
|---|---|---|
| Taxa de juros | 4,5% ao mês | 5,2% ao mês |
| Tarifa de cadastro | R$ 800,00 | R$ 0,00 |
| Seguro | R$ 600,00 | R$ 0,00 |
| IOF (hipotético) | R$ 300,00 | R$ 300,00 |
| Valor financiado | R$ 11.700,00 | R$ 10.300,00 |
| Parcela | R$ 1.283,09 | R$ 1.175,25 |
| Total pago | R$ 15.397,08 | R$ 14.103,00 |
| CET aproximado | 7,4% ao mês | 5,7% ao mês |
Na proposta A do exemplo, os R$ 1.700,00 de tarifa, seguro e IOF entram no valor financiado, e você paga juros sobre eles durante os 12 meses.
O resultado da simulação inverte a primeira impressão: a proposta A tem juros menores, mas custa R$ 1.294,08 a mais no total. O CET deixa isso claro logo de cara, com cerca de 7,4% ao mês na proposta A contra cerca de 5,7% ao mês na proposta B, nos valores do exemplo.
Se você quiser manter um seguro, peça a simulação das duas propostas com coberturas parecidas. Assim a comparação fica justa.
Como comparar com a taxa média do Banco Central
A taxa média do crédito pessoal não consignado foi de 5,94% ao mês em janeiro de 2025, segundo a série 25464 de taxa média de juros do Banco Central.
Essa série mede a taxa média de juros das novas operações contratadas no mês, ponderada pelo valor das concessões. Ela trata de juros, não de CET, então compare a média com a taxa de juros da proposta.
A série é mensal e começa em março de 2011. Antes de comparar, confira o mês mais recente disponível, porque a média muda ao longo do tempo.
O Banco Central também publica as taxas médias de cada instituição financeira por modalidade de crédito, em ordem crescente. Com essa lista, você vê se a instituição que fez a proposta costuma cobrar mais ou menos que as outras.
Uma taxa bem acima da média indica que vale pedir outras propostas e entender por que o preço ficou mais alto. A média é um ponto de referência, já que cada contrato considera o perfil de quem pede o crédito.
Se você tem acesso ao consignado, o empréstimo com parcelas descontadas do salário ou benefício, a média de janeiro de 2025 foi de 1,75% ao mês para pessoas aposentadas e pensionistas do INSS, segundo a série 25468 do Banco Central, e de 2,91% ao mês para trabalhadores do setor privado, conforme a série 25466 do Banco Central.
Seguro, tarifas e IOF: o que você pode questionar
Cada custo extra no CET merece uma pergunta direta à instituição. Peça a lista detalhada dos itens que compõem o valor financiado.
Seguro
Pergunte se o seguro é condição para aquela proposta ou se é opcional. Peça uma segunda simulação sem o seguro e compare os dois CETs.
Tarifas
Pergunte o que cada tarifa cobre e se existe uma versão da proposta sem ela. Tarifas pagas uma única vez pesam mais em contratos curtos, porque se diluem em menos parcelas.
IOF
O IOF é um imposto federal sobre operações de crédito, por isso a instituição não tem como dar desconto nele. O que você pode conferir é se ele foi somado ao valor financiado, porque nesse caso você também paga juros sobre o imposto.
Antes de assinar: conferir o CET, o prazo e o valor total a pagar
Com duas ou mais propostas em mãos, siga esta ordem:
- Peça cada proposta por escrito, com CET, valor liberado, valor financiado, parcela, prazo e total a pagar.
- Compare o CET de todas no mesmo período, ao mês ou ao ano.
- Compare a taxa de juros de cada uma com a média mais recente do Banco Central para a mesma modalidade.
- Questione cada tarifa e seguro e peça simulações sem os itens opcionais.
- Multiplique o valor da parcela pelo número de parcelas e confira se o resultado bate com o total informado.
- Se os prazos forem diferentes, compare o total pago e o CET, não apenas a parcela.
- Verifique se a parcela cabe no seu orçamento sem atrasar contas essenciais, como moradia, alimentação e energia.
- Na assinatura, confira se o contrato repete as condições da proposta que você guardou.
Para entender outras etapas da contratação, como prazos, garantias e alternativas de crédito, veja os conteúdos sobre empréstimo pessoal do Guia do Crédito.
Fontes
- Banco Central: série 25464, taxa média do crédito pessoal não consignado
- Banco Central: série 25468, taxa média do consignado para aposentados e pensionistas do INSS
- Banco Central: série 25466, taxa média do consignado para trabalhadores do setor privado
- Banco Central: taxas de juros por instituição financeira