Portabilidade do consignado: como comparar propostas antes de trocar

Como avaliar a portabilidade do consignado comparando CET, prazo e parcela, com as taxas médias do Banco Central como referência e uma simulação de parcelas.

A portabilidade do consignado vale a pena quando a nova proposta tem Custo Efetivo Total menor que o do contrato que você já tem, para o mesmo saldo devedor e sem aumentar o número de parcelas que faltam. O CET é o custo total do empréstimo por período, com juros, IOF (o imposto federal sobre operações de crédito), tarifas e seguros. Se o CET cai e o prazo fica igual ou menor, você paga menos no total.

Para chegar a essa conclusão, você reúne os dados do contrato em vigor, pede propostas por escrito a outras instituições e confere cada uma com os mesmos critérios. As taxas médias que o Banco Central publica para o consignado ajudam a saber se os juros oferecidos estão perto da média do mercado.

O que a portabilidade muda no seu consignado

Portabilidade é a transferência de um empréstimo para outra instituição que oferece condições melhores. Para quem trabalha com carteira assinada, regido pela CLT, a portabilidade das operações de consignado é autorizada pelo art. 2º-F da Lei 10.820/2003, no Planalto. No consignado, empréstimo com parcelas descontadas direto do salário ou do benefício, a dívida continua existindo. O que muda é a instituição que recebe as parcelas e as condições do contrato.

O ponto de partida é o saldo devedor, o valor que falta pagar na data da troca. Com a portabilidade, esse saldo passa a ser a sua dívida com a nova instituição.

Três elementos podem mudar no novo contrato:

  • A taxa de juros cobrada por mês
  • O prazo, ou seja, quantas parcelas faltam
  • O valor de cada parcela

Como a parcela continua descontada em folha, ela segue ocupando a margem consignável, a parte do salário ou do benefício que as parcelas do consignado podem comprometer. Para entender outros custos e cuidados dessa modalidade, veja os guias de crédito consignado do Guia do Crédito.

Dados para reunir antes de pedir propostas

Uma proposta só pode ser comparada com o contrato que você tem se os dois partirem das mesmas informações. Antes de procurar outra instituição, separe:

  • Número do contrato e nome da instituição de origem
  • Saldo devedor na data do pedido, informado por escrito
  • Taxa de juros ao mês e CET do contrato em vigor
  • Quantidade de parcelas pagas e de parcelas restantes
  • Valor da parcela que aparece no contracheque ou no extrato do benefício
  • Data de vencimento da próxima parcela

A taxa de juros e o CET constam no contrato que você assinou. O saldo devedor muda a cada parcela paga, por isso peça o valor com a data a que ele se refere. Guarde esse documento: ele é a base de todas as comparações.

Etapas para pedir e comparar as propostas

Com os dados em mãos, siga uma ordem que evita decisões apressadas:

  1. Peça à instituição de origem o saldo devedor por escrito, com a data de referência.
  2. Solicite propostas de portabilidade a mais de uma instituição, informando o saldo devedor e o número de parcelas restantes.
  3. Exija que cada proposta mostre a taxa de juros ao mês, o CET, o número de parcelas e o valor da parcela.
  4. Coloque as propostas lado a lado, sempre com o mesmo número de parcelas do contrato em vigor.
  5. Antes de assinar, confira se o novo contrato cobre apenas o saldo devedor e não inclui um valor extra que você não pediu.
  6. Escolha a proposta com menor CET, desde que menor que o do contrato em vigor, e confira o total a pagar antes de assinar.
  7. Nos meses seguintes, acompanhe o contracheque ou o extrato do benefício para confirmar que aparece um único desconto, o do novo contrato.

Se nenhuma proposta tiver CET menor que o do contrato que você já tem, a troca não reduz o custo. Nesse caso, manter o contrato de origem também é uma decisão válida.

Como comparar a nova oferta: CET, prazo e parcela

Cada número da proposta responde a uma pergunta diferente. Olhar só para a parcela pode esconder um custo maior no fim.

Item da propostaO que ele mostraComo comparar
Taxa de juros ao mêsO preço do dinheiro, sem outros custosCom a taxa de juros do contrato em vigor e com a taxa média do Banco Central
CETO custo total, com juros, IOF, tarifas e segurosCom o CET do contrato em vigor, nunca com a taxa média
Número de parcelasPor quanto tempo você seguirá pagandoCom as parcelas restantes do contrato em vigor
Valor da parcelaQuanto sai do salário ou do benefício por mêsSó depois de conferir CET e prazo
Total a pagarParcela multiplicada pelo número de parcelasCom o total que falta no contrato em vigor

O CET é o número decisivo porque reúne tudo o que você vai pagar. Uma taxa de juros baixa acompanhada de seguro ou tarifa pode resultar em um CET mais alto que o do contrato de origem.

O total a pagar completa a análise. Multiplique a parcela proposta pelo número de parcelas e compare com o que falta pagar no contrato em vigor.

Taxas médias do Banco Central como referência

O Banco Central publica as taxas médias de juros de cada modalidade de crédito. Elas indicam se a taxa de juros de uma proposta está perto ou longe do que o mercado cobrou no período.

Essas médias são taxas de juros, não CET. Compare cada uma com a taxa de juros da proposta e use o CET apenas para comparar uma proposta com outra ou com o seu contrato.

Use a média do seu grupo. A série do INSS não descreve o consignado de quem trabalha no setor privado, e o contrário também vale.

Simulação de parcelas por R$ 1.000,00

Neste exemplo de simulação, cada linha mostra a parcela fixa pela tabela Price para R$ 1.000,00 financiados nas taxas médias de 1,75% ao mês e de 2,91% ao mês, em prazos de 12 a 60 meses.

Prazo1,75% ao mês (INSS)2,91% ao mês (setor privado)
12 mesesR$ 93,11R$ 99,92
24 mesesR$ 51,39R$ 58,48
36 mesesR$ 37,68R$ 45,19
48 mesesR$ 30,97R$ 38,92
60 mesesR$ 27,05R$ 35,44

Para usar a simulação com o seu saldo devedor, divida o saldo por 1.000 e multiplique o resultado pela parcela da linha correspondente. Os valores da simulação consideram só os juros, sem IOF, tarifas ou seguros.

Cuidados para não alongar a dívida sem perceber

Uma parcela menor nem sempre significa uma dívida mais barata. Quando o novo contrato tem mais parcelas que as restantes, parte da economia com juros se perde no prazo maior.

Neste exemplo, um saldo devedor de R$ 5.000,00 com 36 parcelas restantes a 2,91% ao mês é trocado por um contrato a 1,75% ao mês, com prazos de 36, 48 e 60 meses.

CenárioTaxaPrazoParcelaTotal a pagar
Contrato de origem2,91% ao mês36 mesesR$ 225,95R$ 8.134,20
Novo contrato, mesmo prazo1,75% ao mês36 mesesR$ 188,40R$ 6.782,40
Novo contrato, prazo maior1,75% ao mês48 mesesR$ 154,85R$ 7.432,80
Novo contrato, prazo bem maior1,75% ao mês60 mesesR$ 135,25R$ 8.115,00

No exemplo, a parcela cai em todos os cenários, mas com 60 meses o total a pagar fica em R$ 8.115,00, quase igual aos R$ 8.134,20 do contrato de origem. As duas taxas servem aqui só como exemplo de uma queda de juros, já que cada média se refere a um público diferente.

Outros pontos merecem atenção antes de assinar:

  • Valor liberado além do saldo devedor, que aumenta a dívida e o prazo
  • Seguro incluído no contrato sem que você tenha pedido, o que eleva o CET
  • Número de parcelas diferente do que foi combinado na proposta
  • Data do primeiro desconto no novo contrato

Fontes